Matéria DP: Juventude na igreja

11:40

Kleber Nunes

A rotina é pesada. Faculdade, estágio, cursos, namoro e ainda o trabalho pastoral na igreja. Essa é a realidade de milhares de jovens que semanalmente lotam as paróquias da Arquidiocese de Olinda e Recife. Na contramão de uma Igreja dita conservadora, governada por Bento 16, os templos católicos vivenciam um aumento considerável de membros abaixo dos 30 anos. Essa parcela de fiéis reflete um catolicismo de menos proibições e mais diálogos, que mudaram a estrutura dos tradicionais grupos jovens.

Se há 30 anos os grupos se resumiam a momentos de orações repetitivas, leitura da Bíblia e transmissão dos dogmas coordenadas por pessoas “mais velhas”, hoje o modelo de grupo jovem é bem diferente. As reuniões são dos jovens para os jovens. A mudança na linguagem foi fundamental para o engajamento crescente desses fiéis. O presidente da Comissão Arquidiocesana de Pastoral para a Juventude, padre Gimesson Silva, ressalta que a forma mudou, mas a essência não. “Vivemos em uma época de mudanças que tocaram a vida da Igreja e influenciam a sua maneira de estar no mundo e anunciar o Evangelho”, afirmou.

Esse modelo mais atraente e jovial “cativou” a estudante de administração Julieta Pontes, 22 anos. Nascida em uma família católica, sempre ia à Igreja levada pelos pais. “Só comecei a fazer questão de estar na Igreja depois que conheci o grupo jovem que minha irmã participava nos Estados Unidos”, disse. De volta ao Brasil, passou a fazer parte do grupo jovem Kyrios da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Boa Viagem, Zona Sul do Recife. Hoje, divide o tempo entre os compromissos exigidos pelo grupo e os momentos próprios da idade. Festas e “baladas” são indispensáveis. “Não há proibição de nada. A religião nos ensina a vivenciar aquilo que é bom para gente. O que não é, aos poucos nós mesmos vamos deixando”, explicou.

O grupo jovem Kyrios tem 10 anos de existência. Atualmente conta com mais de 150 participantes, número que praticamente dobra a cada ano. Uma realidade que se repete em outras igrejas da Região Metropolitana. “A Igreja revitalizou seu jeito de trabalhar com a juventude. Há um esforço para estar em sintonia com as problemáticas juvenis”, diz o padre Gimesson.

Segundo os próprios jovens, a internet tem um papel fundamental na construção desse novo cristão. É por meio da rede que eles se mantêm conectados a tudo que acontece não só em seus grupos, mas também na Igreja do Brasil e do mundo. O aplicativo da Bíblia é item obrigatório nos celulares. “Nas redes sociais ou através do e-mail estamos sempre ajudando a alimentar a fé um do outro com orações ou com a palavra de Deus”, declarou a enfermeira Natália Lefosse, 23.

Responsabilidade social é também uma das linhas de ação do grupo jovem Cristo Forte, da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, em Casa Forte. Parte dos integrantes realiza atividades lúdicas e oficinas em um orfanato e em um asilo para idosos em Casa Amarela. De acordo com o coordenador do Ministério das Crianças do grupo, Ricardo Veiga, 24, fazer algo pelo próximo é fundamental para a vivência da fé. “Os jovens sentem a necessidade de fazer algo a mais. É muito bom ver o sorriso de uma criança, nos revigora enquanto seres humanos”, disse.

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